segunda-feira, 19 de setembro de 2005

O poema de Dylan Thomas, E A Morte Perderá seu Domínio no filme Solaris

O poema de Dylan Thomas[1], E A Morte Perderá seu Domínio[2] no filme Solaris[3] O poema de Dylan Thomas aparece em três cenas do roteiro de Solaris e, não por acaso, existe uma relação entre elas que possibilita múltiplos significados perpassados pelo tema da morte e do amor. Como pequenos fragmentos de existência essa combinação tem como símbolo de representação a poesia de Dylan, a qual antecipa a vida real pelos sentimentos e imagens de lembranças. O lugar da poesia como espelho do amor entre um homem e uma mulher, da morte e de suas lembranças que vêm pelas emoções. Uma fala maravilhosa bem no início do filme: nós partimos para o cosmos, preparados para tudo, solidão, privação, exaustão, morte. Nós nos orgulhamos, mas quando se pensa nisso, nosso entusiasmo é hipócrita, não queremos outros mundos, queremos espelhos. A história de Solaris, pode ser percebida através de diversos pontos de vista, niilista, finitude, um certo determinismo, amor, arte, como também pelo prisma do «espelho» de lembranças de uma representação do «mundo passado» tornado presente pela falsa linearidade de recordações recorrentes. Culpa? Inconformismo? Perda? Domínio? Emoções? Qual a significação do «espelho» que reflete e desperta uma realidade já vivida, mas que por movimentos recorrentes da memória traz a realidade como um mundo espelhado, porém, “desconhecido”, pois não mais o mesmo?
Na recordação recorrente de Kelvin não haveria o pressuposto de falta, ausência, saudade desse último instante empírico ao lado da mulher amada? Quem não faria de tudo para representá-lo_ trazer este momento último de volta_ torná-lo um espelho sentido como realidade? Do contrário, o não-lembrar faria qualquer coisa vivida ‘sumir’ da memória e a vontade de fazê-lo retornar o substituiria por um outro instante a ser lembrado. Quem recorda senão para reaproximar alguém ou algum sentimento para perto de si uma vez mais, ainda que saiba ser passado? Imaginemos agora, um homem com a possibilidade de rever a mulher amada depois de alguns anos de seu suicídio e ter a oportunidade de corrigir aquilo que julga ser o erro e a conseqüência de sua morte. Solaris mostra, num certo sentido, a possibilidade de uma segunda chance frente ao suicídio de Rheya, conduz a uma esfera quase surreal para o espectador: se pudesse escolher um instante de sua existência para reparar um erro como o viveria pela segunda vez? A história possui duas personagens «Rheya», a primeira ama e se casa com o psiquiatra Chris Kelvin, para em seguida suicidar-se; a segunda, aparece na nave em que Kelvin se encontra, alguns anos depois de sua morte, como uma “visitante”, vamos chamá-la de Rheya 2ª. As lembranças dessa personagem vêm como em sonhos espelhados, porém já vividos numa realidade empírica_ pela primeira Rheya. Na primeira recordação de Rheya 2ª surge o poema de Dylan Thomas. O diálogo reproduzido a seguir dá-se através das lembranças de Rheya 2ª em relação à Rheya 1ª e Kelvin quando se conhecem: Rheya_ Não estrague. Tente poesia. Kelvin_ E A Morte Perderá seu Domínio. Rheya_ humm, Thomas, mas não é um poema alegre. Kelvin_ Você não parecia nada alegre quando a vi entrando. Rheya_ Não estava. Kelvin_ E hoje à noite? Rheya_ É cedo. Na segunda cena do poema, também recordações de Rheya 2ª, eles passeiam por uma livraria, Kelvin pergunta a ela: Kelvin_ Quando quer se casar?Toda vez que toco no assunto você brinca, bom... Rheya_ Eu sei, eu sei. Kelvin se encontra escorado numa estante de livros. Rheya de frente pega um livro e o abre, recoloca-o de volta no lugar, provavelmente o livro de poemas do poeta inglês. Kelvin_É alguma coisa que estou fazendo? Rheya_ Não, a questão não é essa.... E fora o poema que mencionou na noite em que nos conhecemos... (ela refaz a pergunta novamente) Kelvin_ Na noite em que você me seduziu. Rheya_ Qual o seu poema preferido? Kelvin_ Fala de Dylan Thomas? Rheya_ Sim. Eles brincam com o livro de poemas de Dylan entre as mãos, Kelvin diz: “havia jovens na terra.” Rheya_ Eu sabia, não vou me casar com você. Kelvin_ Você vai se casar sim. Sim. Eles casam. E Rheya passa do estado de amor ao de profundo isolamento e tristeza. Kelvin_ Posso agüentar tudo, menos você se escondendo de mim. Cena do suicídio de Rheya: ela ingere comprimidos e arranca a página do livro em que está escrita a poesia E A Morte Perderá seu Domínio, ele a encontrará morta com a folha amassada entre os dedos, no decorrer da cena a primeira estrofe do poema soa na voz de Kelvin, “E A Morte Perderá seu domínio Nus, os mortos irão se confundir com o homem no vento e a lua do poente quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir Ainda que os amantes se percam, o amor continuará E a morte perderá seu domínio. Rheya (2ª) lembra das cenas de sua própria morte na presença de Kelvin. Ao retornar das lembranças ela se volta e pergunta a ele: você me achou? Ele responde: Eu voltei para você naquele dia. Eu sinto muito. Solaris é um local no espaço que tem outro tipo de domínio, materializa os desejos, lembranças, medos e sonhos dos tripulantes da nave. Rheya está morta, mas ressurge, Kelvin é dominado pelas lembranças, principalmente pela de sua morte. Como se Rheya tivesse ‘ressuscitado’ e kelvin pudesse refazer o passado. Ela funciona como um espelho que fornece parte da mente de Kelvin, ele fornece a fórmula para as lembranças dela porque são as suas próprias lembranças, medos, emoções. Rheya é uma cópia da mente dele e o manipula porque ele permite em sua mente o espelho que o reflete através dela. Em uma leitura derivada do filme, poderíamos pensar em fragmentos da memória como uma espécie de espelho para o aprisionamento manipulador de nossas dores, talvez culpa e tantas outras coisas possíveis de serem re-apresentadas infinitas vezes. Rheya_ Será que não percebe? Eu vim de sua lembrança, esse é o problema, eu não sou uma pessoa completa. Na sua memória você pode controlar tudo. Se lembrar de alguma coisa errada, eu estou predestinada a ser assim. Eu sou suicida porque é assim que você se lembra de mim (...) Kelvin_ Não acredito que estamos predestinados a reviver nosso passado. Nós podemos escolher e torná-lo diferente. (...) Esta é a minha chance de corrigir aquele erro. Preciso que você ajude. Rheya_ Mas eu sou mesmo ela? Kelvin_ Isso eu não sei. Se transpormos isso para uma dimensão não transcendente ou de ficção científica, facilmente uma analogia se faz possível: a Rheya que retorna se substituída pela memória de cada um de nós, diz: «eu», o momento recordado, não sou a pessoa que fazia parte de tal momento, também não sou você que está a lembrar agora, você pode controlar o movimento de uma imagem ou pode se deixar levar por aquilo que julga errado, pode predestinar a imagem de uma pessoa amada a ser lembrada dessa ou daquela forma e ao reviver esse passado da forma escolhida, pode tornar essa lembrança próxima àquela do amor sentido. Se Kelvin pudesse perguntar a Rheya: “como gostaria que eu lembrasse de você?” Por certo, ela não responderia «uma imagem que corrigisse seu erro», talvez dissesse «gostaria que lembrasse das coisas belas, que minha imagem em sua memória fosse suave, muito suave, fosse como poesia, vida, gostaria que lembrasse de mim assim». Corrigir o erro para Kelvin seria impedir que Rheya se suicidasse, seria impedir perdê-la para a morte enquanto a morte perde seu domínio para a existência de Rheya. Voltando ao poema de Dylan Thomas, o que pensar sobre a relação do diálogo inicial deles e posteriormente sobre o suicídio? O que fica implícito na pergunta dela e na resposta dele? Pressupomos que a pergunta dela contém a idéia de Tarkovski de que a poesia é ‘uma consciência do mundo, é uma forma específica de relacionamento com a realidade, assim a poesia torna-se uma filosofia que conduz o homem ao longo de toda a sua vida’. Se o poema de Dylan foi uma forma de Rheya sentir e desejar a sua realidade, ela ao querer saber qual o poema preferido do homem que ama quer, na verdade, muito mais, ela busca perceber a realidade de seu mundo, a representação que ele tem de si, dela, de seus sentimentos, da vida. A imagem de Rheya remeteu aos versos do poema? Ou os versos do poema nos lábios de Kelvin é que conduziram Rheya? Versos, palavras, linguagem, portanto. Mas há algo que vai além disso, “existe um outro tipo de linguagem, uma outra forma de comunicação: a comunicação através de sentimentos e imagens. Trata-se do contato que impede as pessoas de se tornarem incomunicáveis e que põe por terra as barreiras. Vontade, sentimento, emoção_ eis o que elimina os obstáculos entre pessoas que, de outro forma, encontrar-se-iam nos lados opostos de um espelho, nos lados opostos de uma porta”. A imagem de Rheya foi para ele num primeiro momento a imagem do poema E A Morte Perderá seu Domínio, imagem tornada real e antecipada em versos? Por sua vez, ela faz uma representação, através da resposta de Kelvin, da representação dele sobre o amor e sobre o destino dos dois. Vamos imaginar que na pergunta de Rheya, sobre qual o poema preferido, estivesse implícito: “eu trago vida a você?” E Kelvin ao responder: E a morte perderá seu domínio, acaba por unir, pela poesia, amor e morte, para separar, também pela poesia, o amor. Neste ponto indagamos: para quem a morte perderá seu domínio? Perde o domínio para quem partir. Esse niilismo da consciência de finitude se estendido à finitude do amor representaria para Rheya o fim da condição de que é parte da finitude, como uma negação, mas ela não decide sartreanamente pela humanidade, sequer pelo homem que ama, decide simplesmente por si mesma. A morte, personalizada em uma imagem, mantém sob seu domínio a existência, tal domínio que a morte um dia não mais terá sobre os amantes. Rheya ao se suicidar retira o poder de domínio da morte sobre si, esse não-domínio é efetivado pela ausência de sua vida. “O momento da morte representa também a morte do tempo individual: a vida de um ser humano torna-se inacessível aos sentimentos daqueles que continuam vivos, morre para aqueles que o cercam.” Talvez a dor frente à finitude, ao fato de que todos estão presos a tal domínio fosse igual para ambos os personagens. A diferença, é que ela antevê o que faria e, por isso, diz que jamais se casaria com Kelvin frente à menção que ele faz ao poema de Dylan. A morte já sem nenhum domínio ressurge espelhada para ele através de outras formas de domínio, a não-certeza do retorno da mulher que ama como sendo real ou como sendo sonho, imagem tornada realidade. Rheya se suicida novamente ou é simplesmente a mente de Kelvin que faz com que ela o faça pela segunda vez? Está acontecendo de verdade ou está somente na mente dele? Nas lembranças? Desejos? O domínio da incerteza acaba substituindo o domínio da morte sobre a vida. Existe dor pior? Da incerteza de algo? Da não lucidez do que se está a viver ou daquilo que já se viveu e só é acessível enquanto recordação. Sonho? Desejo? A dor é imaginária ou real? A presença é só uma imagem da mente? A relação dos amantes que se perdem, por um lado, mas que, nos versos de Dylan, por outro lado, jamais se perderão, aponta para uma espécie de paradoxo envolvendo racional e emoção. O fato de haver um domínio sobre o descontrole das emoções sem que haja domínio sobre elas nos faz pensar num espelho que reflete lembranças não escolhidas racionalmente, elas vêm pelas emoções e, por isso, Kelvin não consegue escolher como ressurgirão, não as controla, é controlado por elas_ ou pela sua dor. O emocional fornece o espelho, assim como na poesia, e se as palavras são uma forma de realidade o mundo representado e fragmentado em lembranças pode ser aquele pelo qual não se está preparado ainda para re-viver, quando ainda não é o tempo de si próprio. Talvez exista um fragmento de passado em cada um de nós no qual não possamos ainda «tocar» do contrário, impulsionado por outros sentimentos acabaria por conceder um domínio para o qual se é ainda frágil demais. Se perguntarmos pelos impulsos que obrigam o ser humano a ir nesta ou naquela direção do reflexo recordado de seus espelhos, como se alguns tópicos de sua estrutura de pensamento dominassem sua memória e alimentassem suas armadilhas conceituais, indagaríamos em seguida: até que ponto algumas pessoas não são comandadas pelas suas emoções sem domínio sobre? Até que ponto não são dominadas por recordações não-racionais? Até que ponto não são dominadas pelos seus pré-juízos? Dominadas por pensamentos recorrentes? Isso é real? Está na minha mente apenas? Não estou superdimensionando o passado de uma lembrança onde a cada retorno acrescento outras “lembranças”?_ que não estavam lá no momento original dado_ construindo para mim um «lugar» como Solaris onde tudo que é pensado e sentido se «materializa» tornando o passado a armadilha conceitual que conteria todos os demais domínios. Talvez o segredo para a leveza das recordações fosse um filtro que isolasse as armadilhas conceituais, mas a memória constituída de lembranças via armadilhas conceituais torna-se a fonte por onde a água do filtro passa silenciosamente indo em direção ao passado para alterá-lo da pior maneira possível. Tarkovski diz que “privado da memória, o homem torna-se prisioneiro de uma existência ilusória; ao ficar à margem do tempo, ele é incapaz de compreender os elos que o ligam ao mundo exterior”, a armadilha talvez aja aí, se a memória fosse incapaz de não acrescentar e superdimensionar emoções em relação a algo recordado ela seria uma memória estática, sem movimento, sem devir, diferentemente disso, a memória recorrente seria como um balanço, que vai e vem num mesmo espaço limitado. O filtro para a dor e o sofrimento passaria pela representação e teria que ser capaz de permitir o movimento próprio de nossa memória sem que a cada vez que um mesmo instante doloroso fosse lembrado, não corrêssemos o risco de torná-lo um erro que se alimenta de mais um erro totalmente fora do «tempo dado». Entretanto, que garantias possuímos de que quando estamos a lembrar não nos encontramos sob o domínio do emocional concedendo força à memória em uma recorrência não escolhida? Talvez o filtro só sirva para lembranças-racionais, aquelas que podemos escolher lembrar sem medo porque são controladas pelo discurso da razão com a ilusória convicção de que nada lhe é acrescentado, talvez o filtro não faça a menor diferença quando as recordações são via-emoção, quem sabe, estas sejam como o poema de Dylan, só perdem o seu domínio com a morte e aí é a memória que pode ser vista como uma forma específica de sentir e viver a realidade presente, embalada pelo passado em suas diversas recorrências de um «mundo» representado diferentemente, ora racional, ora não. Meu texto pergunta muito mais que analisa. Fica o poema completo de Dylan Thomas, que devido a uma rara e inexplicável beleza, como a própria vida? toca de forma estranha, profunda e não menos inexplicável as perguntas sem respostas, “Está entendendo o que eu quero dizer? Não há respostas, só há escolhas.” E A Morte Perderá seu Domínio E A Morte Perderá seu domínio Nus, os mortos irão se confundir com o homem no vento e a lua do poente quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá E a morte perderá seu domínio. E a morte perderá seu domínio. Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar não morrerão com a chegada do vento; ainda que, na roda da tortura, comecem os tendões a ceder, jamais se partirão; entre as suas mãos será destruída a fé e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento; embora sejam divididos eles manterão a sua unidade; e a morte perderá seu domínio. E a morte perderá seu domínio. Não mais irão gritar as gaivotas aos seus ouvidos Nem se quebrar com fragor as ondas nas areias onde se abriu uma flor não poderá nenhuma outra erguer a sua corda em direcção à força das chuvas; ainda que estejam mortas e loucas, suas cabeças haverão de enterrar-se como pregos através das margaridas; Irrompendo no sol até que o sol se ponha E a morte perderá seu domínio.” [1] Dylan Thomas nasceu no país de Gales em 1914. Leu toda a poesia de D. H. Lawrence e ficou impressionado por sua descrição do mundo natural. Fascinado pela língua, ele era excelente em Inglês e leitura, mas negligenciou outros assuntos e acabou abandonando a escola quando tinha 16 anos. Thomas foi um dos melhores poetas neo-românticos do nosso tempo. Com grande pungência, ele expressou a idéia romântica que é a essência da força vital, que a experiência física é passageira e que a vida é muito curta. Muito de sua poesia é sentimentalista e depende do efeito musical das palavras. Sua primeira visita aos Estados Unidos foi com 35 anos, por onde viajou tentando popularizar a poesia, o que fez com sucesso, pois era extravagantemente teatral e lia seus livros com um sentimento profundo. Ele se tornou uma figura legendária, tanto por seu trabalho quanto por sua vida tumultuada. Tragicamente, ele morreu devido ao alcoolismo quando tinha 39 anos. [2]Agradeço ao músico Oberdan Pegoraro pelas conversas virtuais, em especial a da madrugada em que falávamos sobre The Raven, Dylan e musicalidade que nos vêm pelas palavras através da qual tive uma intuição para escrever este texto. [3] O filme Solaris produzido pelo diretor russo Andrei Tarkovskié uma adaptação da obra do escritor polonês Stanislaw Lem, não tenho certeza se o poema se encontra na narrativa do livro ou se foi um acréscimo ao roteiro cinematográfico na versão americana. No texto utilizo passagens de ambas as versões, além de citações do próprio Tarkovski de sua obra Esculpindo o Tempo. Versões de Solaris: 1972_ Donatas Banionis (Kris Kelvin) e Natalya Bondarchuk (Harey) no "Solaris" russo, de Tarkovski. 2002 George Clooney (Chris Kelvin) e Natascha McElhone (Rheya) no "Solaris" americano, de Soderbergh.

1 Comentários:

Blogger Andreas disse...

Palmas!!

clap clap clap!!!

...fuçarei com calma seu blog, tem muito a ser lido!!

Andreas

10:22 PM  

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