segunda-feira, 17 de outubro de 2005

A Questão do Não-Ser no Sofista de Platão

Pressuposto-não-afirmativo: Como o não-ser (tò mè on) vem a ser parte constituinte de uma Forma (eidoς) Outro (heteron) possibilitando demonstrar a existência do discurso (logoς) falso sem que este se constitua igualmente como uma Forma?
Resumo da dissertação/mestrado: A presente pesquisa visa descrever e interpretar o contexto filosófico sobre a questão do não-ser no Sofista de Platão com o objetivo de elucidar de que maneira Platão demonstra a possibilidade do discurso falso e estabelece a realidade ontológica do não-ser a partir da realidade das Formas Supremas estruturadas no Sofista. Partimos da gênese da questão sobre o ser e o não-ser através dos fragmentos ontológicos do poema de Parmênides de Eléia e a utilização da tese eleata por parte dos sofistas para justificar o relativismo de seus discursos, pressupondo aqui uma «produção de falsas imagens» da arte da sofística ao poema parmenídico. Na seqüência abordamos o problema do erro e a questão do não-ser diretamente na passagem do Sofista 237a onde o Estrangeiro de Eléia introduz o assunto. Pressupomos uma concordância de Platão em relação à citação que faz do verso de Parmênides sobre os «não-seres» unindo-os à arte de produzir falsas imagens através do discurso falso, desse modo, interpretamos o «não-ser irreal» como outra fabricação dos sofistas em detrimento do «não-ser» enquanto eidos na estrutura ontológica. Por conseguinte, derivamos allós (outro que não as Formas) para os «não-seres» e o «não-ser irreal» e heteron (Outro, Forma Suprema) onde Platão coloca o não-ser como parte constituinte da natureza do Outro. Seguimos a seqüência do diálogo para mostrar como Platão estabelece a estrutura ontológica das cinco Formas: Ser, Repouso, Movimento, Mesmo e Outro, descrevendo o método aplicado no Sofista: a diairesis, a synagogé e a symploké da Formas relativas. Após isto apresentamos as definições sobre o não-ser e o discurso falso através do texto mesmo de Platão. Finalizamos com uma explicação para a falsidade, a qual, concluímos não é uma Forma, mas uma desordenação da apreensão das «essências» no pensamento daquele que não faz uso da dialética para ascender às Formas puras onde efetivamente se encontra a verdade para Platão, desde que é no eidos que se encontra o «real realíssimo». Dessa maneira, Platão demonstra a possibilidade do erro e do discurso falso enquanto logos sem comprometer a perfeição dos elementos do inteligível na estrutura ontológica estabelecida no Sofista.
by Sandra Adriana Fasolo

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