quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Segunda versão de texto a partir de uma citação de Hartmann

Este texto foi escrito como uma experiência, no sentido de se procurar abordar a linguagem em relação ao movimento do pensamento vislumbrado nos dialéticos e no narrador proustiano e a possibilidade de se pressupor a existência de algum tipo de “universalidade” nesse movimento, a partir de um “caminho” tomado em sua recorrência.
Bem, falando com transparência, o texto é uma variação do primeiro_ A conquista da linguagem pela sedução da dialética_ a partir de uma citação de Hartmann sobre os dialéticos. Vejo nessa citação uma forma de crítica com várias condições de possibilidade de ser transposta para qualquer "coisa" tanto na filosofia quanto na literatura_ na verdade, a citação é genialmente cética, pode-se transpô-la, às vezes_ somente às vezes_ para a atitude padrão de alguns seres humanos, sem dúvida tal possibilidade existe. Para nosso alívio, são poucos que se enquadram na genialidade-hartmanniana. Boa diversão! Uma aproximação invertida entre dialéticos e proustianos _e a sedução através da linguagem_ Possuímos aqui alguns termos essenciais para desenvolver o texto: a linguagem_ a qual está associada à sedução e sua aproximação em relação aos dialéticos e aos proustianos. Para os dialéticos pressupomos uma conquista a ser manifestada sempre num horizonte encontrado à frente, quanto mais em devir, mais fiel ao próprio método de sedução. Para o narrador proustiano esse processo se manifesta de forma invertida, para trás. Esclareceremos a inversão de ambos a seguir. Comecemos pelo conceito de dialética, através da seguinte definição dada por Hartmann, de onde derivaremos as inversões e aproximações de ambos: ‘ (...) para o dialético A é justamente B, e se alguém julga tê-lo agarrado em A, ele há muito já escapou para B, e o oponente ficou a ver navios. Um dialético é, assim, como um maníaco com perseguição de idéias; conseguirás mais facilmente segurar o óleo com a mão do que agarrá-lo com palavras.” Eis a citação no ‘devir’ próprio que reside no dialético, segundo Hartmann, esta crítica feita ao sistema hegeliano vai atingir exatamente sua fundamentação, ou seja, os opostos sendo necessários para o desenvolvimento da tríade dialética acabam se convertendo, paradoxalmente, numa ‘fuga’ contínua e sem fim de uma “verdade” elaborada por palavras, conceitos e, portanto, para uma própria explicação plausível do mundo enquanto ontologia através da linguagem. Em outras palavras, aquilo que impulsiona a existência, como ela é para Hegel, não permite ao dialético manter-se numa afirmação até o fim, pois tal fim não importa e sim o de sua posição de maníaco por perseguição de idéias com a qual sempre conseguirá pensar uma nova contradição e de uma oposição para outra (dada pela tese-antítese) ele nunca permanecerá por muito tempo com a mesma síntese. Não interessa a ele a ‘estabilidade’ de uma síntese, pois a vê como um passo a mais para outra tese, para outra antítese e, assim, seguirá brincando com suas próprias palavras e conceitos num círculo no qual só ele sabe movimentar-se com desenvoltura. Quem tentar discutir com um dialético não conseguirá, de forma alguma, entender o caminho tomado, como se o dizer argumentativo remetesse para verdades e quando julgamos: ele finalmente se fará compreendido, teremos o rumo das palavras alteradas mais uma vez, a conduzir o diálogo para outros caminhos e ficaremos nós, sem saber o que desejava que viéssemos a pensar. Tomar o caminho antes tido como verdadeiro ou tomar este novo caminho, agora apregoado como verdade e oposto ao anterior? Ou ainda não tomar nenhum dos dois, certamente haverá um terceiro e um quarto e, dessa forma, consegue o dialético nos cansar com tantas argumentações as quais deveriam manter-se firmes e defendidas. Mas ele não tenciona defender suas idéias, planeja no máximo opor-se a elas continuamente, ambiciona confundir seu interlocutor, diverte-se com isso, brinca com a verdade. Não há então um ceticismo refinado em tal comportamento? No fundo não acredita no que diz e parte em busca de outras afirmações e de forma sofista, mas sutil intelectualmente, age como se fosse natural ser assim. O artifício de ‘forjar’ uma expressão de inquietude em sua busca incessante de respostas será capaz de nos comover. Quando o dialético se coloca em posição de partida pode-se ter certeza: fará quantas voltas forem necessárias para ‘fugir’ de seu interlocutor. O “motor” a impulsioná-lo é para ele a própria atitude persecutória do outro, a empurrá-lo sempre mais à frente. Não dará uma certa angústia perceber a impossibilidade de ‘pegá-lo’ através de palavras? No fundo, o dialético despreza o que vai ouvir, já não está ouvindo, nem ao menos lhe importam as respostas ou a contra-argumentação, está imerso em seu próprio jogo, em sua própria circularidade, seduzindo-se em seu pensar acaba por se viciar em tal caminho. Já não importa em absoluto o que o outro dirá, pois este fascinado por tentar pegá-lo pelas palavras apenas funcionará sempre como o impulso de que ele precisa para correr ainda mais atrás de outros argumentos. O dialético é por isto mesmo sedutor de si próprio, sedutor do outro que estará sempre tentando compreender a jogada para debatê-las, atraído pelo círculo do qual não consegue fugir pois torna-se mais atraente que uma provável ‘estabilidade ou convicção de pensamento’. Aliás, ele não almeja a estabilidade, antes vê na idéia da falta de movimento uma provocação para um desespero iminente ameaçando colocar um ‘fim’ no devir, razão que o faz viver, entretanto ele sabe: a cada novo argumento virá outro e mais outro e a transitoriedade do pensado é mascarada pelo eterno jogo de nunca parar. A simples possibilidade dessa estagnação confere a ele a sensação de um mundo parado, de um mundo sem razão de ser. A vida do dialético é o movimento de seu próprio pensamento e o movimento de seu próprio pensamento é estar sempre em B, quando estamos nós ainda em A_ quando estamos. Assim ele nos confunde de forma propositada, confunde a si próprio de forma intencional, porém finge para todos não haver tal propósito, somente o de buscar a verdade. O dialético não suportará quem não aceitar as regras de seu jogo, abominará quem tentar retirá-lo dessa mania de perseguição de idéias. No entanto, em tal jogo de perseguição ele sabe: o outro fará de tudo para estar em B, enquanto maquiavelicamente ele já estará passando para C e quanto mais longe ele estiver mais vai se divertir como fato de que o outro não poderá alcançá-lo_ ainda quando o interlocutor estiver convencido da possibilidade de pegá-lo em alguma contradição. Ora, isto é uma ilusão, pois o dialético é a própria contradição dissimulada em busca da verdade. O vazio de argumentação ou contra-argumentação deixada ao seu interlocutor torna-o fascinante, todo dialético é, por excelência, um sedutor, sabe disso e não cai em sua própria armadilha. Enquanto ele se ‘vicia’ em estar sempre além em suas idéias o outro se sentirá encantado pelo jogo de palavras e de ausência não compreendido. E nesse jogo de contradições, forma-se o início da conquista da linguagem através da sedução da dialética. Ou seria o contrário: forma-se a conquista da dialética através da sedução da linguagem? Em todos os casos, todo esse processo se dá em direção ao que se encontra num horizonte a ser alcançado_ sempre à frente. Vejamos, agora, o narrador proustiano[1], pois com ele todo esse processo manifesta-se ao inverso. Apliquemos a ele a mesma citação de Hartmann mas nos permitimos algumas modificações: (...) para o proustiano Z (e não A como para o dialético) é justamente A, e se alguém julga tê-lo agarrado em B, ele há muito já se encontra em Z, e o oponente ficou a ver navios. Um proustiano, “é, assim, como um maníaco com perseguição de [lembranças]; conseguirás mais facilmente segurar o óleo com a mão do que agarrá-lo com [o presente].” O narrador proustiano tem na conquista da linguagem uma inversão dessa mania de perseguição de idéias: seu pensamento volta-se sempre para o passado, ele nunca estará em A [metáfora para o presente, o agora] a realidade vivida funciona apenas como desculpa para poder jogar sua existência em lembranças. Enquanto o dialético olha para frente, o proustiano teima em olhar para trás. Ambos são difíceis de serem pegos com palavras, ambos confundem seu interlocutor ou leitor, não se fixam no presente. O “agora” da existência humana, ao contrário de ser a peça principal do jogo, converte-se no lugar de que eles dispõem para “ir” (dialéticos) e “vir” (proustianos). O que isso poderia significar para quem está do outro lado? Ou para quem julga estar com a peça principal? Observemos, primeiro, um ponto em comum com os dialéticos: o narrador proustiano, mesmo em sua forma invertida, também nos passará uma angústia, aqui a angústia de não podermos “agarrar” o fato descrito [já foi presente] e então numa finitude tornada passado não haveria como recuperá-lo em existência, ou seja, determinado fato “narrado” não será jamais o fato vivido e, talvez, por isso, acabe por remeter à busca de um tempo perdido. Ora, toda a existência transformada em finitude quando lembrada converte-se na busca de tudo aquilo que não pode retornar: as sensações, percepções, o olhar sobre as coisas, o pensado do instante presente torna-se irrecuperável, pois “(...) ao longo de uma série de reflexões pesadas sobre a incapacidade de nosso intelecto salvar o passado enquanto passado, ao querer reapresentá-lo no presente, Proust escreve: ‘é assim com o nosso passado, trabalho perdido procurar evocá-lo, todos os esforços da nossa inteligência permanecem inúteis. Está ele oculto, fora do seu domínio e do seu alcance, nalgum objeto material (na sensação que nos daria esse objeto material) que nós nem suspeitamos.’ Ele relata uma experiência referente a acontecimentos de sua infância que, ao querer assegurar-se dela propositalmente, perde inteiramente a intensidade das sensações e sentidos característicos do primeiro aflorar do episódio passado; fazia a experiência que não dá para querer apropriar-se deste evento por meio do intelecto e uma vontade forte.”[2] Nada pode ser recuperado na sua forma empírica nem mesmo através da linguagem que se dá no movimento do pensamento, lembrar não é viver uma segunda vez a mesma coisa em seu sentido original, em como se deu, de outra forma: o reaparecimento de algo estando vinculado com a memória, que, por sua vez, não é aquela do exato instante ocorrido, transforma as lembranças em um re-aparecimento alterado e, portanto, irrecuperável. Mas o que faz Proust? Embora afirme a “incapacidade de nosso intelecto salvar o passado enquanto passado”, o escritor não desvia seu olhar da existência considerada perdida, um olhar sempre voltado para trás fazendo-o perseguir em suas personagens recordações e, contudo, sem considerar possível reapresentá-las no presente. Uma recorrência do movimento do pensamento? Poderíamos pensar que sim, mas o que então busca-se neste tempo já considerado perdido quando sabemos que se encontra perdido? A ficção associa-se às sensações e percepções do momento recordado alterando-as no presente, embora se refiram ao passado: como se fosse passado e como se fosse presente. Mas o narrador nos conduz habilmente para este mundo de lembranças, há uma perseguição por algo não sustentado no presente, o passado rememorado fornece ao “agora” um sentido. O ficcional da obra proustiana ultrapassa a mera existência de um drama e de ações das personagens para adquirir na linguagem o instrumento para dizer o impossível, buscar o já perdido onde a existência “presente” das personagens funciona como pano de frente para o passado. Schneider, pergunta: “Qual é a parte de nós que nos é própria e não traço do outro em nós? Escrever é abandonar-se à fascinação da ausência do tempo. A própria memória é uma forma de imaginação, uma ficção que reescreve os vestígios deixados, enquanto a imaginação, por mais criativa que seja, procede da lembrança daquilo que não se produziu.” [3] Isto é, a memória implica não somente na “ausência” desse mesmo eu (não é mais um existir presente, no agora) que intuiu o momento empírico somado ao eu que pensa sobre o acontecido na subjetividade do eu que pensa [não mais aquele de um dado instante] porém implica, além disso, nas lembranças contidas na memória em relação aquilo que não se produziu, em outras palavras, o não vivido converte-se em algo “produzido” quando “lembrado” na própria ação do imaginário, é a linguagem da memória a se misturar a um tempo linear, no entanto, inacessível, pois recorda-se de forma fragmentária, por partes e jamais em um estado “puro” descritivo. Lembrar não seria então reescrever num tempo já tardio? Não é possível alterar nada nesse tempo [ausente ou não] além da linguagem, além da ficção, além da narrativa, apenas é o eu a alterar a realidade já vivida através das lembranças contidas na memória e no imaginário. Há o pressuposto de elementos produzidos pela “ausência”, relembrar pode, portanto, significar aumentar, exagerar, divagar, exaltar, alucinar, fantasiar[4] imagens de sensações e pensamentos as quais não se deram verdadeiramente. A área-limítrofe se perde entre o tempo perdido nas lembranças da memória e o tempo presente junto com tudo aquilo que o eu se tornou e viveu até então, a área-limítrofe transforma-se em ficção. Proust joga com a linguagem na memória e no passado, o leitor se seduz pela linguagem presente enquanto ela mesma remete a uma busca incessante do que já foi_ e, por isso, perdido, a busca vem a ser um resgate da existência que não mais se pode resgatar e, no entanto, buscada com um novo sentido. Em ambos os casos, haverá sempre alguém ou uma lembrança para dar ‘impulso’ aos jogos aqui descritos, onde o importante não são propriamente os conceitos (dialéticos) nem lembranças (proustianos) mas a atitude em cercar-se de um caminho que leva sempre a um outro caminho. Assim, temos descrito o espírito de sedução do dialético e do narrador proustiano, ambos conhecem a arte de persuadir, de confundir, de embriagar, mas somente após terem feito a conquista de sua própria linguagem tornando nossas vidas menos monótonas e tediosas. Avessos às mesmices de seu próprio pensar não se cansam de buscar o que ali não está, de desejar estar onde não mais se encontram, de sentir o já sentido e o não-sentido, de pensar o ainda não pensado, de proclamar ao mundo aquilo que ainda não disseram ou viveram. Perdidos em tantas manipulações de retórica ficaremos, talvez, enrolados em A para sempre, enquanto o dialético continuará com sua mania persecutória de idéias e o narrador proustiano com a mania de perseguição de lembranças, talvez venha a contagiar o leitor a adquirir o estranho hábito de lembrar coisas nunca vividas e embalados pelo glamour da linguagem e impulsionada pelo ato de imaginar, tornar a vida uma obra de arte, pois “repercorrer de ponta a ponta, de quarto em quarto, os porões, as escadas, os redutos, os celeiros, aqueles onde você morou e aqueles que moram em você, esses quartos interiores que uma criança imaginava quando, interminavelmente, contava para si mesma a história de sua louca família (...)” _ pode significar além de sedução literária uma espécie de “universalidade” da forma de pensar a existência, é disso que juntos saem a procura, o dialético e o narrador proustiano. Assim, a linguagem é o instrumento para o que se deseja “ver”, como uma espécie de “movimento do pensamento” universalizado na obra, mas particularizado, isto é, o próprio pensar acaba por se universalizar no pensamento ao mesmo tempo em que o particulariza através do caminho “escolhido”. Para o proustiano, como uma direção “viciada” onde em sua recorrência repassa o passado na memória alterando-o; para o dialético, como uma “universalidade” que reside na obsessão pelo que poderá ainda e sempre ser acessado pelo pensamento, pelo algo ainda não pensado ou não descoberto. Esse movimento, na verdade, particular e próprio, e que se utiliza da linguagem para tanto, poderia ser chamado de universal, mesmo de forma metafórica, na medida em que se pressupõe um tomar o seu mundo privado através do próprio ponto de vista como se fosse o mundo inteiro. Existe aqui um modo de abordar muito mais literário que filosófico, essa universalidade do pensamento se imaginada como sendo a existência mesma faz sentido se percebermos esse “movimento” como se fosse a absorção de recorrências ao passado e recorrências a possibilidades futuras, sem dúvida, abrange a “maneira” de existir: um “caminho” do pensamento aprisionado em repetições, considerando que “o espaço reatravessado torna-se tempo reconhecido.”[5] Tal espaço reatravessado é dado pela linguagem e pelo movimento do pensamento e a possibilidade de tornar-se reconhecido porque encontra na própria linguagem o ato de recordar e, assim, re-presentar [apresentar novamente] algo vivido como um “reconhecimento” de si mesmo, ainda que em todo esse processo não possamos ignorar que é: à la recherche du temps perdu_ para alguns_ e `a la recherche du temps futur_ para outros. [1] “A obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, insere-se na moderna tradição do romance pela ausência de um enredo uniforme e sistemático, com toda a urdidura do episódio que atrai outro episódio até o final contundente e pela absorvente atenção concedida à vida psicológica das personagens, uma vida psicológica extremamente densa e complexa. Proust participa da mesma repulsa de Valéry pela demasiada aproximação do romance relativamente à realidade informe e trivial e por isso observa que “nem sequer uma única vez uma das minhas personagens fecha uma janela, lava as mãos, veste um sobretudo, diz uma fórmula de apresentação. A haver alguma coisa de novo neste livro [Em busca do tempo perdido] seria isto mesmo.” Ao nome de Proust poderíamos agregar os de Franz Kafka, William Faulkner, etc. e as tentativas dos surrealistas no campo do romance. A narrativa dissolve-se numa espécie de reflexão filosófica e metafísica, os contornos das coisas e dos seres adquirem dimensões irreais (...) Cf. Aguiar e Silva, Teoria da Literatura. 8.ed. Livraria Almedina: Coimbra, 1994. cap. 10. [2] FLICKINGER, Hans-George. Revista Veritas: Subjetividade e tempo: considerações em torno da interpretação da obra de Marcel Proust por Samuel Beckett. Vol. 1, n. 1. Porto Alegre: EDIPUC, 1955. [3] SCHNEIDER, Michel. Ladrões de palavras: ensaio sobre o plágio, a psicanálise e o pensamento. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990. p. 19 [4] Apenas uma breve comparação com William Blake, que embora fosse um poeta da época moderna não foi enquadrado em nenhum gênero literário, provavelmente devido ao seu estilo fancy: impressão fantasiosa, figuração mental caprichosa, devaneio. “Qualquer coisa de ser susceptível de ser acreditada, eis uma imagem da verdade.” Blake, William. As núpcias do céu e do inferno. Trad. Oswaldino Marques. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. Cf. notas sobre o texto e citação na pág. 24. [5] Cf. SCHNEIDER, Ladrões de palavras: ensaio sobre o plágio, a psicanálise e o pensamento. p. 13.

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