domingo, 16 de outubro de 2005

A predicação pelo não-ser

Ainda, em relação ao belo, o não-ser é o não-belo (257d), e, em relação ao grande, o não-grande (258c). Contudo, em todos os casos, o não-ser foi definido sempre em relação a alguma coisa_ sempre relativo: não-ser é não-ser-X. Não-ser-belo ou, no exemplo precedente, não-ser-doce, supõe o belo, o doce, etc., ou seja, X. Desde que se suprima X, o não-ser desaparece. s’évanouit. Não concordo com Cordero nesse aspecto, pois se o ser é tão ser quanto o não-ser é necessário que existam as “subformas” que pertencem ao Outro, sua essência deve existir ainda que não seja dirigida a todos os seres, pois nem todos terão os mesmos limites. Por outro lado, e não gosto disso que vou escrever, o não-ser parece apontar para toda forma de predicação do ser, estaria aí para dizer o que o ser a partir de propriedades-atributos que ele não possui e nesse sentido poderíamos aproximar das categorias de Aristóteles. Sócrates é não-belo_ há aqui uma adjetivação a Sócrates pelo seu contrário, em todos os casos, uma predicação pela ausência afirmativa do adjetivo.
Pelo não-ser se chega a definir o ser pelo seu outro. Digamos que o ser de Sócrates antes de ser predicado como feio poderia ser predicado como não-belo.
É tão simples, por que tanta toleima há tantos séculos?
by sandra filos 2003

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