sábado, 3 de setembro de 2005

Filosofia Antiga_ Ontologia

Como Platão tenta resolver no Sofista a questão do ser e do não-ser (a questão da Ontologia da dialética)? O Sofista de Platão mais os livros de Aristóteles (que Andrónico de Rodes enumerou no seu catálogo após a física) são a carta-magna da Ontologia Clássica. Anterior ao Sofista, Platão havia escrito Teeteto, diálogo que já fala sobre o conhecimento em si mesmo, isto é, a essência do conhecimento, onde Platão falará sobre a dialética e a ‘Anamnesis’: todo o aprender não é mais que recuperar o conhecimento latente que sempre possuiu a alma imortal; memória do vivido, para Platão, num outro plano, teoria das reminiscências. A anamnesis é a intermediária entre os dois mundos de Platão: a natureza eterna da alma humana (mundo das idéias) e a existência separada das Formas ( a existência do homem no mundo sensível), objetos próprios do conhecimento. (O homem como objeto do conhecimento? Aliás, o homem duplamente como objeto do conhecimento, pois sua alma está dividida entre um e outro mundo?) Platão também argumenta, na República, que os estados inerentes de nossa mente (e, portanto, diferenças de estados mentais) e a natureza dos objetos são características importantes para definir se algo é ou não conhecimento. Mas, será a partir dos estados da mente, de suas diferenças, que se poderá inferir algo em relação aos objetos. Ainda na República, Platão escreve sobre a diferença entre conhecimento (epistéme) e opinião (doxa), esta última pode ser falsa ou verdadeira porque está no plano do sensível, enquanto que a epistéme é infalível, por que reside no plano das idéias ou formas do inteligível. A dialética ascendente de Platão fala em passarmos da doxa para a epistéme através de degraus de conhecimento. Quanto a tese de Heráclito: ‘tudo está em movimento’, Platão aceita a doutrina heraclítica de que os objetos sensíveis estão em constante movimento, por que é um princípio fundamental de sua própria filosofia. Mas para Platão os objetos sensíveis não constituem ‘todas as coisas’ e se afirmamos que ‘todas as coisas estão em perpétuo movimento, então se torna impossível o conhecimento. Platão faz da mistura dos opostos uma característica das coisas sensíveis, onde a inseparabilidade dos opostos foi também sustentada por Protágoras. Este é, pois, o ponto real de contato entre Protágoras, Heráclito e Platão. Platão aceita a tese heraclítica, sustentada por Protágoras, com a intenção de modificar o que este afirmava: ‘de todas as coisas que dizemos que tem ser, na realidade nunca são, senão que estão sempre em vias de chegar a ser, como resultado do movimento. Aceitação de Platão: aplicável somente para as coisas sensíveis; o ser dos objetos inteligíveis (mundo das idéias/essências) é sempre o mesmo, sem que admita jamais nenhum tipo de modificação; ao contrário, a multiplicidade sensível nunca permanece igual em nenhum aspecto. (Um jogo de opostos em que exatamente o que concede a oposição, isto é, o movimento, coloca-se sob o mesmo princípio dos contrários, o não-movimento está para o mundo das essências, assim como o movimento está para o mundo das aparências? Nem o próprio movimento poderia escapar a este princípio, como tudo muda no mundo sensível através do movimento, este só poderia estar, opostamente, num lugar: no inteligível.????) Portanto, no Teeteto, a discussão sobre o problema do conhecimento e as críticas à identificação do conhecimento com a sensação, posição que é aí atribuída ao sofista Protágoras de Abdera, leva à reafirmação de que o conhecimento verdadeiro não pode dispensar a fundamentação nas idéias:e é esse mundo de essências estáveis e perenes que o diálogo chamado Sofista investiga. Ao examinar as bases da distinção entre verdade e erro, apresenta aguda crítica da atividade docente dos sofistas, acusados de criar e difundir imagens falsas, simulacros da verdade. Não é possível entender Platão sem a teoria das idéias, sem compreender como ele conciliou o ‘tudo muda’de Heráclito com o Uno de Parmênides, pois partindo de ambos como verdadeiros estabeleceu os dois mundos, onde o Sensível corresponderia a Heráclito e o Inteligível a Parmênides, solucionando assim o problema do conhecimento, o qual só pode ser alcançado através das idéias, da dialética ascendente ao mundo das essências. Platão também modifica a sentença de Protágoras, substituindo o ‘eu sou a medida de todas as coisa’, do que é; o que a mim me parece é para mim; por: ‘eu sou a medida do que chega a ser, mas nunca é; e a pretensão de Protágoras (152c) de que ‘percepção é sempre percepção do que é, dá lugar à doutrina platônica ‘percepção é sempre percepção do que está em processo de devir.’ Por isso, se para Platão há somente ciência das Idéias e esta ciência é a Dialética, a Dialética platônica é, de direito, uma Ontologia. Platão busca o ser - que deve encontrar no ‘logos’a sua expressão inteligível - não unicamente no termo estático de uma elaboração conceitual como fizera Parmênides, mas no movimento mesmo com que a Alma conhece, no ato em que ela se pronuncia, no ato de julgar. Em outras palavras, a unidade do ser em Platão não é uma unidade de identidade mas uma unidade de participação, pois se as coisas apenas participam nos seres e coisas do mundo sensível, a unidade do ser deve, também ser uma unidade de participação. O que a Metafísica de Aristóteles visa? O que ela estuda ou/e investiga? A Metafísica de Aristóteles visa o ser enquanto ser. No Livro IV da Metafísica, capítulo 1, parágrafo primeiro 25-30, encontra-se a razão pela qual Aristóteles escreveu a Metafísica: ‘Há uma ciência que investiga o ser enquanto ser e os atributos que lhe são próprios em virtude de sua natureza. Ora, esta ciência é diversa de todas as chamadas ciências particulares, pois nenhuma delas trata universalmente do ser como ser. Dividem-no, tomam uma parte e dessa estudam os atributos: é o que fazem, por exemplo, as ciências matemáticas. Mas, como estamos procurando os primeiros princípios e as causas supremas, evidentemente deve haver algo a eles que pertençam como atributos essenciais. Se, pois, andavam em busca desses mesmos princípios aqueles filósofos que pesquisaram os elementos das coisas existentes, é necessário que esses sejam elementos essenciais e não acidentais do ser. Portanto, é do ser enquanto ser que também nós teremos de descobrir as primeiras causas.’
Também no Livro Alfa, Aristóteles fala sobre o ‘ser enquanto ser’ que procura o conhecimento: Obra Metafísica_Livro Alfa 1º § 980 A ‘Todos os homens, por natureza, desejam conhecer.’(...) preferimos ver a tudo mais.(...) a visão põe em evidência e nos leva a conhecer maior número de diferenças entre as coisas.(...) Neste primeiro parágrafo, do Livro Alfa da Metafísica, Aristóteles coloca a busca do conhecimento como pré-disposição própria e natural do ser humano. Afirma após, que os sentidos são o primeiro passo dentro do processo de conhecimento (abstração) e que a visão, entre todos os sentidos, se converte na mais importante porque nos dá uma percepção direta e imediata das coisas. Percebe-se que Aristóteles inicia a Metafísica já estabelecendo uma hierarquia — a dos sentidos — um ‘pensar’ que irá permear todo o trabalho do estagirita, pois ele irá se preocupar com hierarquias, classificações, gêneros e espécies de coisas partindo do universal para o particular, fragmentando todo o conhecimento até então desenvolvido pelos seus antecessores, isto é, pelos Pré-Socráticos, Sócrates e Platão. A Metafísica é formada por quatorze livros que representam o núcleo mais importante do pensamento aristotélico. O Livro I trata da noção e origem da filosofia e constitui valiosa referência para o estudo da história do pensamento grego. Os livros seguintes abordam os principais conceitos referentes ao ‘ser enquanto ser’, na busca do fundamento de todas as ciências. No Livro XII, prosseguindo o trabalho de reflexão já iniciado na Física, Aristóteles analisa a natureza de Deus, o Primeiro Motor Imóvel. Explicitar cada uma das categorias (8) de Aristóteles e o que elas tem a ver com o ser? Ser 1º Predicado, a substância: o que é o ser 2º Predicado, a quantidade: quanto é 3º Predicado, a qualidade: como é 4º Predicado, a relação: comparação 5º Predicado, o lugar: onde está 6º Predicado, o tempo: o ser é, foi, será... 7º Predicado, a ação: o que faz o ser 8º Predicado, a paixão: o que acontece ao ser, ‘o que ele sofre ou padece’, a ação sofrido nele Alguns autores falam de mais duas categorias: posição e estado, mas como Aristóteles as esquece em vários momentos, a maioria dos autores tende a considerar apenas as oito primeiras mencionadas.
O que é a substância? Ousta. A Substância é necessariamente aquilo que é e aquilo que existe, essência necessária, ‘aquilo que o ser era’, continuidade ou estabilidade do ser, sempre. Toda a coisa é o que é em virtude dessa essência necessária ( que é a sua causa intrínseca ou extrínseca) e que portanto tudo aquilo que há de real ou de cognoscível nas coisas faz parte da essência necessária e existe necessariamente. Assim, a substância constitui para Aristóteles a estrutura necessária do ser na sua concatenação causa, porque todas as espécies necessárias de causa são determinações da substância. Exprime também o sentido fundamental do conceito do ser e portanto constitui o objeto próprio da metafísica. ‘Aquilo que há tempo estamos procurando, aquilo que sempre será um problema para nós: o que é o ser? Significa isto: o que é a substância? (Met. VII, 1, 1028 b2) A substância, assim, corresponderia a própria Metafísica: ‘ciência que estuda o ser na sua qualidade de ser (tó ón é ón) e os atributos que lhe pertencem essencialmente’. O ser ultrapassa todas as categorias de Aristóteles, mas está em cada uma delas de modo diverso, porém analógico. Quando perguntamos ‘O que é o ser’, estamos na verdade perguntando pela sua essência e que no caso de Aristóteles remete à substância.
O que é matéria e forma? CONCEITO DE MATÉRIA Um dos princípios que constituem a realidade natural, isto é, dos corpos. São várias as definições de matéria, pois englobam as filosóficas e as científicas. Como sujeito e como potência são as que nos interessam no presente trabalho. Matéria como Sujeito: a definição da matéria como sujeito alterna-se em Platão e Aristóteles com a de matéria como potência. Platão chama matéria a mãe de todas as coisas naturais já que esta ‘acolhe em si todas as coisas sem nunca tomar forma que se pareça com as coisas enquanto é como a cera que recebe a marca.’ (Timeu, 50 b) Neste sentido a matéria é o material bruto, amorfo, passivo e receptivo do qual as coisas naturais são compostas. Aristóteles chama este material sujeito, diz ele: ‘chamo matéria o sujeito primeiro de uma coisa, isto é, do qual a coisa se gera acidentalmente.’ Para Platão a matéria era apenas receptiva da Forma; para Aristóteles, o ponto de partida para dizer que algo existe em si mesmo? Matéria como Potência: o conceito da matéria como potência se entrelaça em Platão e Aristóteles com aquele da matéria como sujeito. Platão diz que a matéria ‘nunca perde a própria potência’. Aristóteles identifica a matéria com a potência, ‘todas as coisas produzidas seja pela natureza seja pela arte têm matéria já que a possibilidade que cada uma tem de ser ou não ser é, para cada uma delas, a sua matéria’. Mas a potência não é, segundo Aristóteles, somente esta possibilidade pura de ser ou não ser, é uma potência operativa e ativa, ‘uma casa existe potencialmente se não existe coisa alguma em seu material que lhe impeça de tornar-se uma casa e se não há nada mais que deva ser acrescentado, retirado ou mudado.’ Esta auto-suficiência da potência para produzir a coisa pela qual a matéria não é somente o material bruto mas uma capacidade efetiva de produção, exprime um conceito que não mais aquele da matéria como passividade ou receptividade (como o era para Platão). Como potência operativa a matéria não é um princípio necessariamente corpóreo. CONCEITO DE FORMA O termo tem as seguintes significações principais: 1º a essência necessária ou substância que têm matéria. Nesse sentido aristotélico a forma se opõe a matéria, Aristóteles usa esse termo referindo-se às coisas naturais que são compostas de matéria e de forma (idéia) e observa que a forma é ‘natureza’ mais do que a matéria uma vez que de uma coisa diz-se que é o que ela é em ato, antes de dizer que é o que é em potência. Desse ponto de vista, não podem chamar-se forma as substâncias imóveis (Deus e as inteligências motrizes) que não tem matéria. São formas as substâncias naturais em movimento, isto é, o que existe em movimento. Aristóteles, diferentemente de Platão, coloca a forma e a matéria na coisa, no mundo sensível, enquanto ela é o que é no momento, a idéia é em ato e não no que poderá a vir a ser, não o que será em potência. E aí tem uma importante questão: a potência é predeterminada pelo ato? Platão separou forma e matéria nos dois mundos distintos de sua teoria platônica. A forma ou idéia está no mundo inteligível e só pode ser apreendida em parte, através da participação da idéia nas coisas da realidade, o mundo sensível, enquanto composto de matéria está constituído, portanto, pela participação da forma nos simulacros que nada mais são do que modelos das próprias formas. A Forma também seria forma para coisas que não tem matéria como: conhecimento, dianóia e dialética? Daqui a polêmica conduzida por Aristóteles contra o platonismo, com o objetivo de afirmar a inseparabilidade da forma da matéria. É a causa ou razão de ser da coisa, razão pela qual uma coisa é o que ela é, é o ato ou a atualidade da coisa mesma, isto é, o começo e o fim do seu devir. O conceito de forma assim entendido foi e continua sendo empregado também fora do aristotelismo e de seus derivados. Por exemplo, para Bacon, a forma como objeto próprio da ciência natural, é ato e causa eficiente, justamente como na forma aristotélica. E a palavra é aceita por Bergson com a mesma significação quando afirma que a ‘a forma é uma fotografia instantânea tirada em cima de uma transição, isto é, uma espécie de imagem média à qual se aproximam imagens reais em sua mudança e que vem assumida como ‘a essência da coisa ou a coisa mesma.’
O que é ato e potência? ATO O termo tem dois significados: o de ação no significado restrito e específico desta palavra, como operação que emana do homem ou de seu poder específico (ação); o de realidade que se realizou ou se vai realizando, do ser que alcançou ou está alcançando a sua forma plena e final (enteléquia), enquanto se contrapõe ao que é simplesmente potencial ou possível. Nesse sentido faz referência à Metafísica de Aristóteles e a sua distinção entre ato e potência. O ato é a própria existência do objeto, está para a potência ‘como o construir para o saber construir, o estar acordado para o dormir, o olhar para ter os olhos fechados’. Alguns atos são movimentos que têm seu fim em si mesmo, por exemplo, o ver ou o entender ou o pensar, ao passo que o aprender, o construir, têm fora de si o seu fim, na coisa que se aprende, no objeto que se constrói. A ação perfeita, que tem em si o seu fim, é chamada por Aristóteles de Ato Final ou Enteléquia. Enquanto o movimento é o processo que leva gradualmente ao Ato o que antes estava em potência, a enteléquia é o termo final (telos) do movimento, a sua perfeita realização. O ato precede a potência seja com relação ao tempo seja com relação à substância: já que se a semente vem antes da planta, na realidade ela não pode ser derivada senão de uma planta ( mas de onde veio a semente senão que de uma planta?) Na concepção Aristotélica, a distinção entre matéria e ato determina a ordenação hierárquica de toda a realidade que vai de um extremo limite inferior que é a matéria-prima, pura potencialidade indeterminada, até Deus que é Ato Puro, sem mescla de potencialidade. Deus é com efeito o Primeiro Motor imóvel dos céus; e como o movimento dos céus é contínuo, o seu motor não só deve ser eternamente ativo, mas deve ser, por sua natureza, atividade, absolutamente desprovido de potência. E como a potência é a matéria, ele é também desprovido de matéria, é ato puro. A noção de ato puro permaneceu como fundamental para a elaboração da idéia de Deus no pensamento ocidental. POTÊNCIA Em geral o princípio, ou a possibilidade de uma mudança qualquer. Esta foi a definição do termo dada por Aristóteles e distinguiu-o em vários significados específicos: A. A capacidade de realizar mudança no ‘outro’ ou em si mesmo, que á a potência ativa. B. A capacidade de sofrer mudança através do ‘outro’ou de si mesmo, que é a potência ativa. C. A capacidade de mudar ou de ser mudado para melhor antes do que para pior. D. A capacidade de resistir a qualquer mudança. Estas distinções permaneceram quase que intactas na tradição filosófica. (o ato predetermina a potência? E o que era ato, agora em potência, isto é, quando da transição do ato para potência ou de sua realização a potência volta a ser ato? Ou nunca deixa de sê-lo?, qual o limite entre o ato e a potência?) CONCEITO DE ENTELÉQUIA Termo criado por Aristóteles para indicar o ato final ou perfeito, isto é, a realização acabada da potência. Nesse sentido Aristóteles definiu a alma como a enteléquia de um corpo orgânico (De Anima) Como Aristóteles identificava o que já estava em ato perfeito? Como é a causalidade? A forma de uma conexão racional, pela qual a causa é a razão do seu efeito, que é porém dedutível dele. Nessa acepção a ação da causa é freqüentemente descrita como a de uma força que gera ou produz o efeito. A primeira forma da noção de causa pode-se dizer que começa com Platão, o qual considera a causa como princípio pelo qual uma coisa é o que é. Mas a primeira verdadeira análise da noção de causa se encontra em Aristóteles, o qual afirma que conhecimento e ciência consistem em ter em conta as causas e nada são fora disso. Por isso, a causalidade se refere a toda a teoria aristotélica das quatro causas. Mas tudo isso está relacionado com a idéia de que, para Aristóteles, a causalidade é a estrutura da realização no eterno, na eternidade, fora do tempo. Deus cria o mundo da mesma forma que um artífice faz sua obra; mas como Deus não está no tempo, cria sua obra somente pensando-a. Sua atividade é sé pensar. Assim Deus é a essência exemplar de todas as coisas realizadas neste mundo. Por isso, a concepção aristotélica da causalidade é uma concepção genética interna da própria coisa, mas não é evolutiva no tempo, no sentido de sucessão, como o é para nós na física atual. É uma metafísica teleológica onde há uma realidade independente do homem da qual provém toda as coisas pela inteligibilidade do Primeiro Motor, Deus. Como Aristóteles vê o mundo? E em que aplica compreendê-lo? Para Aristóteles compreender o mundo é conhecer suas causas, isto é, as quatro causas estabelecidas por ele para se chegar ao conhecimento verdadeiro de alguma coisa. Se perguntar a causa significa perguntar o por quê de alguma coisa, esse ‘porquê’ pode ser diferente e há, portanto, várias espécies de causas, já que no mundo existem várias coisas e, assim, vários ‘porquês’. Aristóteles estipulou quatro tipos de causas para atingirmos o conhecimento universal: causa material, causa formal, causa eficiente, causa final. Causa material: o bronze é a causa da estátua; causa forma: a essência ou substância de algo; causa eficiente: o autor de uma decisão é a causa dela; causa final: o porquê de algo. Deveria, porém, existir uma hierarquia de causas, onde seria preciso buscar sempre a causa mais alta, segundo aquilo que se quer conhecer. Diz, também, Aristóteles no Livro Alfa , da Metafísica a respeito de como o homem pode conhecer: 2º § 980 B ‘(...) a sensação gera a memória’, (...) e os que, além da memória, também possuem esse sentido da audição, podem ser ensinados.’ Aqui Aristóteles faz uma relação da memória e do sentido da audição, dizendo que ambas estas faculdades conduzem a via de se aprender e que aqueles que as possuem podem ser ensinados, pois estão mais aptos a aprender do que outros que são destituídos de tais faculdades. 3º § 980 B 25 e 981 A ‘(...) nos homens, a memória gera a experiência’(...)’ a arte surge quando, de muitas noções fornecidas pela experiência, se produz em nós um juízo universal a respeito de uma classe de objetos’(...) A ‘experiência concatenada’, isto é, a ligação entre os vários fatos, através da ação da memória (recordação) sobre uma mesma coisa (repetição) faz com que o homem abstraia um conceito universal, elevando a experiência à arte. O universal não é portanto direcionado para o individual, mas para todos ou tudo que compõem uma classe dentro das coisas que constituem o mundo e que partem do particular para o universal. 4º § 981 a A ação não é inferior à arte, mas visa o particular. A experiência produz mais êxito do que a teoria sem a experiência, pois esta última é mais útil para o particular do homem, enquanto que a teoria visa o universal e, portanto, não o direto e imediato que o homem necessita para viver concretamente suas relações no mundo sensível. Apesar disso, ‘pensamos que o conhecimento e a compreensão pertencem antes à arte do que a experiência’, e consideramos ‘os teóricos mais sábios que os empíricos’, pela razão de que os primeiros conhecem as causas e os outros não, os empíricos sabem que determinada coisas é assim, mas não sabem o por quê e desempenham o ‘assim’ através do hábito. Os que estão aptos a ensinar são os teóricos, já que podem explicar o por quê das coisas. 5º § 981 b 10 Os sentidos, como a experiência, nos ajudam para o particular, no entanto, não nos dizem as causas das coisas. 8º § 982 a 5-15 ‘Ao sábio não convém subordinar-se’. Buscamos o conhecimento filosófico, então, de que espécie são as causas e princípios desse conhecimento? Várias são as opiniões sobre o homem sábio, mas entre todas as ciências aquela que tem amor ao conhecimento está mais próxima da sabedoria do que outras que visam resultados práticos. 9º § 982 a b ‘E essas coisas, as universais, são em suma as mais difíceis de conhecer, por mais longe se encontrarem dos sentidos’. A característica de conhecer todas as coisas deve pertencer àquele que no mais alto graus possui o conhecimento universal. Aristóteles pressupões que quem possui este conhecimento conheça todas os casos particulares. Depois Aristóteles faz uma relação entre as ciências do grau de exatidão vinculado aos princípios (quanto menor o número de princípios mais exata). O conhecimento encontra-se no que é cognoscível, autêntico, isto é, nas causas por meio das quais se pode conhecer todas as outras coisas. ( a Filosofia é, para Aristóteles, ciência das causas?) 10º § 982 b 15-25 ‘Foi pela admiração que os homens começaram a filosofar tanto no princípio como agora’ como filosofavam para fugir à insipiência, o fizeram por meio da única ciência livre, pois só a Ciência Primeira tem em si mesma o seu próprio fim. 13º § 982 b25-30 e 983 b 5 ‘(...) Só dizemos conhecer uma coisa quando conhecemos a sua primeira causa.’ Relembra as quatro causas, já trabalhadas na obra ‘Física’: causa material, causa forma, causa eficiente, causa final, onde estaria o bem como finalidade de toda a mudança. Introduz neste parágrafo que recorrerá aos pré-socráticos que ‘investigaram o ser e filosofaram a respeito da realidade’, pois também eles falaram de certos princípios e causas. Nos parágrafos que se seguem Aristóteles analisa e critica os filósofos da natureza, tentando descobrir em suas teorias alguma ‘espécie de causa’. Na verdade ele está buscando é uma ordem do mundo através do conceito de causa. 19º § 984 a 20-30 e 984 b 5 Aristóteles afirma que a causa primeira para estes pensadores é unicamente material. Porém, a simples matéria não pode ser causa, por exemplo, da estátua, ‘o próprio substrato não é a causa de sua mudança’. Buscar esta ‘outra coisa’ responsável pela mudança é buscar sua segunda causa. Ele coloca aqui uma nova questão para o avanço do conhecimento: qual o início do movimento?. No entanto, procurar as outras causas propostas por Aristóteles não foi preocupação dos pré-socráticos, Aristóteles é que tenta interpretá-los dessa forma. 25º § 985 b 20 As investigações dos primeiros filósofos fez com que Aristóteles concluísse que eles chegaram apenas às duas causas. 44º § 988 b 15 Quando buscamos as causas todas elas precisam ser pesquisadas. 55º § 990 b 20 ‘Os argumentos em favor das formas destróem as coisas cuja existência nos importa mais do que a existência das Idéias. Critica Platão por colocar o verdadeiro valor num mundo distinto daquele que efetivamente vivemos e, por isso, colocar a realidade como algo destituído de verdade e do verdadeiro conhecimento.(neste parágrafo há uma definição de crítica interna (hermenêutica) mostrando que os argumentos não podem ter contradição, isto é, ‘uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto’) 72º § 992 b 20 Impossível julgar que tenhamos encontrado os elementos de todas as coisas existentes. 73º § 992 b 25-30 e 993 a ‘Como poderíamos apreender os elementos de todas as coisas?’ Todo aprendizado se baseia em premissas, conhecidas com antecedência. ‘Mas, por outro lado, se esta ciência fosse realmente inata, seria pasmoso que possuíssemos a mais lata das ciências sem nos apercebermos disso.’ 74º § 993 a 5 Aristóteles diz ser impossível ‘reconhecer e provar os elementos de que uma coisa consiste’, pois não há um consenso a respeito daquelas que pertencem ao mundo sensível, nem mesmo na linguagem. 76º § 993 a 15-20 Aristóteles conclui afirmando que os pensadores buscaram as causas somente nos elementos físicos do mundo sensível e que ‘a mais antiga filosofia é balbuciante em todos os assuntos, por ser jovem e estar em seu começo.’
Qual é o sentido maior da teologia em Aristóteles? Deus como Primeiro Motor: 11º § 982 b 30 e 983 a 5-10 ‘Só Deus pode ter semelhante privilégio’(Simônides). Tal ciência estaria alem da força do homem, sendo a mais divina e também a mais nobre, conviria a Deus possuí-la, pois dizemos que Deus é um dos primeiros princípios e uma das primeiras causas. O conhecimento verdadeiro estaria além da capacidade do homem para alcançá-lo. (Deus como Primeiro Motor) 12º § 983 15-20 ‘Nada causaria maior surpresa a um geômetra do que ver a diagonal tornar-se comensurável’. O fato de não nos ser concedido atingir inúmeras coisas ( a primeira delas seria o Primeiro Motor) parece ao homem maravilhoso que assim seja, que Deus não possa ser comensurável. Os conceitos de matéria a potência, ato e forma estão relacionados ao movimento e todo movimento pressupõe um motor, este motor é o Motor Imóvel que é Deus, Causa Primeira do movimento universal. Ele não tem em si nada de virtual: é Ato Puro, perfeição absoluta. N’Ele a essência implica a existência, sendo perfeito não tem que alcançar nenhum fim fora de si e, portanto, age sobre o mundo apenas como causa final; o mundo é atraído por Deus sem que Deus seja atraído pelo mundo. Neste sentido Deus move o mundo sem ser movido, contém em si todas as formas dos seres, como objeto do seu pensamento. Nele o pensamento e o pensado forma uma eterna unidade. Deus é pensamento em ato.Falta em Aristóteles o conceito de criação, pois parte de Deus enquanto enteléquia ou ato perfeito e final para onde todas as coisas retornam, sendo puro intelectualismo. Qual a finalidade do homem para Aristóteles? O homem é um ser entre outros muitos que constituem o universo, mas esse ser humano tem o privilégio sobre os demais seres de partilhar da inteligência divina. Portanto a finalidade do homem no mundo é clara: é realizar sua natureza; e o que constitui sua natureza, aquilo que distingue o homem de qualquer outro ser, é o pensamento. Por conseguinte:, o homem deve pensar. A atividade própria do homem é pensar; o ato do homem, o ato humano por excelência é pensar. Não pensará o homem com a plenitude e a pureza, a grandeza e a totalidade com que pensa Deus, por que o homem não é Deus e, por conseguinte, seu pensamento é imperfeito. Teses fundamentais do Realismo Coisa em latim significa res. Daí a palavra realismo. Existem as coisas, isto é realismo metafísico. O realismo afirma que existe uma realidade independentemente de seu pensamento/consciência/subjetividade, esta é a principal tese do Realismo. As teses fundamentais foram desenvolvidas de formas diversas: 1. O realismo metafísico dos pré-socráticos. 2. O realismo platônico, em que Platão afirma a realidade de um outro mundo, que não o sensível, e que existe independente do pensamento, mesmo que não quiséssemos pensar nas essências elas existem e estão em uma outra realidade - o mundo inteligível. Ontologicamente, porém Platão é um idealista, mas quanto a epistéme, é realista. Questões de prova de Ontologia I

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